Hélder Clério lança primeiro EP com quatro faixas autorais e inéditas

(Foto: Hélder Clério/Design: Henrique Félix)

Hélder Clério lança primeiro EP com quatro faixas autorais e inéditas

Alguns nomes já são clássicos na cena musical lagopratense, Hélder Clério é um deles. O escritor e psicólogo tem uma carreira extensa na música independente e, neste mês de março, lança o seu primeiro EP: Pés Ciganos Olhos Acesos. Para apoiar o artista, faça o pré-save, que já está disponível, e ouça antes de todo mundo!

No dia 20 de março, quatro faixas inéditas, compostas pelo músico, vêm ao mundo através dos selos Limestone (Arcos) e Nexalgum Records (Lagoa da Prata). As músicas foram produzidas por Daniel Rabelo, no Estúdio Mudo, em Arcos. Hélder gravou todos os instrumentos e voz do EP, que vão do violão ao piano elétrico e viola caipira. A vocalista Júlia Calácio também faz participação especial em duas faixas. 

“Chegou um ponto de amadurecimento do trabalho que eu acho adequado [lançar]. Quando eu comecei a escrever, me arriscar a compor, demorou a sair algumas coisas realmente legais. Às vezes achava legal na hora que fazia, mas depois ia ouvir de novo e fazia uma certa autocrítica. Então eu demorei a fazer coisas que, hoje, eu acho que são boas mesmo. Outro ponto é fruto da análise pessoal, sair da lógica da comparação e confiar mais no meu estilo e jeito de fazer as coisas, apostar e arriscar”, refletiu o artista. 

Segundo ele, as músicas, que carregam elementos do folk, “são gravações simples, singelas, o que combina com o espírito das canções, sendo assim uma opção estética, casamento entre forma e conteúdo”. As canções foram escritas ao longo dos últimos 12 anos, inspiradas por “encontros com amores, amizades e paisagens”.

“São quatro das minhas melhores músicas, pra mim, e diferentes entre si, de maneira que quem ouvir vai ter uma certa noção do tipo de coisa que eu faço. São músicas que dão um certo panorama do meu trabalho, do meu jeito de escrever, cantar, tocar. Mostram certas nuances do meu trabalho”, explica Hélder sobre a seleção de faixas. 

Apesar dessas distinções, carregam uma semelhança: segundo o músico, todas trazem a temática de viajar, flanar; diretamente ligadas ao título do EP. “São músicas que têm esse tema em comum, das viagens e dos encontros. Uma eu fiz para minha esposa, uma fiz para uma amiga, a Cris; outra para meu amigo, senhor Chico”, explicou.

Quanto à equipe, Hélder conta que estar entre amigos tornou tudo ainda melhor. Além do apoio na produção, gravação e lançamento, ele contou com a influência dos amigos Gabriel Guma e Henrique Félix no conceito e criação da capa. “Ela foi baseada numa fotografia do Gabriel Guma, outro amigo muito querido lá de Formiga; poeta, psicólogo. A gente tem muita coisa em comum e eu admiro muito o trabalho dele”, contou.

Os laços que inspiraram as composições, se transpõem em cada etapa dessa criação, desde a escrita até a sua entrega para os ouvintes. “Todos são amigos muito queridos. Daniel Mudo, que foi quem produziu e gravou lá no estúdio dele; a Júlia Calácio, que cantou comigo duas músicas, amiga muito querida. Eu admiro muito, adoro a voz dela, acho que ela é uma cantora muito talentosa, sensível e torço muito para que ela continue cantando cada vez mais e mais longe. E a Carol Shineider, que tá me ajudando muito na divulgação do disco, no lançamento mesmo. Minha amiga muito querida, a gente já tocou em banda juntos e tal”.

O afeto nesse ‘trabalho’, é claro, vem cheio de referências. “Eu sou um músico amador, nos dois sentidos. Não é um trabalho, no sentido forte do termo. Eu não ganho a minha vida financeira com isso, mas levo a sério essa brincadeira, como uma criança leva a sério as brincadeiras dela. E para essa brincadeira, eu quero estar com meus amigos. Por isso eu contei com esses e quis que estivessem juntos. Também por influência do Clube da Esquina, pessoal da geração beat, da literatura dos Estados Unidos, eu gosto muito de entrelaçar a amizade com a arte. Não vejo divisão entre a vida e a arte. Então, para fazer a minha arte, modestamente, humildemente, eu quero estar com quem eu gosto, quero que isso seja uma coisa natural, e é isso que foi”, finalizou.

A carreira do músico

Hélder foi guitarrista das bandas lagopratenses Língua de Musquito, sucesso nos anos 2000; e Cabal Tribal, ainda em atividade. Hoje faz parte do trio Paranóia Beat. Em 2021, participou da coletânea musical “Ondas Híbridas”, do Coletivo Nexalgum, com a faixa “Mente & Coração”.

Na carreira de escritor, foi co-autor das obras “Delírios Periféricos de um Oeste” e “Sex ‘N’ Drama”. Publicou sozinho, em 2022, a coletânea de poesias “Diamantes e Dinamites.

Redação