
Conheça o trabalho da Amavi, associação que apoia jovens vulneráveis
A Associação Municipal de Apoio às Vítimas de Violência (AMAVI), há 20 anos, busca manter os adolescentes ocupados e afastá-los de ambientes de risco, promovendo a convivência saudável entre família e comunidade. A iniciativa fortalece a rede de proteção social em parceria com o CRAS, atendendo jovens dos 11 aos 17 anos nos períodos em que não estão na escola. A entidade oferece diversos tipos de atividades e transporte gratuito, com 14 pontos de parada pela manhã e 12 à tarde. As oficinas funcionam de 8h às 10h30 e de 13h30 às 16h30.
Vinte anos de história
A AMAVI foi criada em 8 de junho de 2005, em Lagoa da Prata, por iniciativa de um juiz e um promotor da comarca local. Sua principal missão é promover o desenvolvimento e a autonomia de pessoas em vulnerabilidade social, com foco na prevenção da violência e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.
Atua exclusivamente na cidade, atendendo adolescentes de 11 a 17 anos encaminhados pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). Atualmente, cerca de 70 jovens participam das atividades. É uma instituição sem fins lucrativos, presidida pelo contador Marcelo Corgosinho desde 2010. A associação tem uma diretoria executiva, conselho deliberativo e fiscal, e todos os membros são voluntários. Possui título de utilidade pública municipal, estadual e federal.
Os adolescentes ingressam via CRAS/CREAS, após preenchimento de ficha socioeconômica com informações familiares, escolares e de saúde. Muitos apresentam vulnerabilidades financeiras, emocionais e psicológicas, como ansiedade, depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo etc.
Como é o dia a dia na AMAVI?
No dia a dia dos jovens, eles podem optar por diversas oficinas socioeducativas e culturais, como aulas de muay thai, dança, artesanato, futsal, vôlei, natação, desenho grafite, música (violão e flauta) e informática, a única obrigatória. Há ainda o Projeto de Vida, com orientação profissional e acompanhamento psicológico. Os adolescentes também têm acesso a escuta psicossocial e atendimento individualizado, sem caráter terapêutico.
A AMAVI realiza campanhas educativas e palestras durante o ano, como o Maio Laranja, em combate à violência infantil; contra o trabalho infantil, exploração sexual e violência contra a mulher. O projeto é reconhecido por reduzir a exposição de adolescentes a situações de risco e oferecer oportunidades de crescimento pessoal e profissional.
Desafios e dificuldades: como a associação se mantém?
A AMAVI é mantida por meio de convênios com o município, emendas parlamentares, pelo Fundo para a Infância e Adolescência (FIA), imposto de renda solidário e parcerias com empresas privadas. Frequentemente, a associação promove eventos próprios, como venda de pizzas e Noite Cultural, para complementar o orçamento.Hoje, um dos principais desafios é a falta de capacitação da equipe para lidar com o aumento de adolescentes com laudos psicológicos e transtornos mentais. A manutenção da estrutura física é uma das principais questões, tanto em relação ao prédio da sede, como a van de transporte, que percorre cerca de 450km por semana. A sustentabilidade financeira para manter o atendimento gratuito e de qualidade é um desafio constante.
Ana Isa Moura


